Homens que viviam em terras férteis eram enterrados com ferramentas. Os que viviam em regiões menos ricas eram enterrados sem o apetrecho.

 A desigualdade social começou há mais de 7 mil anos, ou seja, no período neolítico, segundo uma pesquisa realizada por arqueólogos britânicos publicada nesta semana na revista científica “PNAS”, da Academia Americana de Ciências.

A evidência partiu de análises de 300 esqueletos humanos encontrados em sítios arqueológicos na Europa Central. Parte deles estava enterrada com ferramentas agrícolas da época e outra parte não.

Essa diferença, de acordo com os cientistas das universidades de Bristol, Cardiff e Oxford, evidencia uma diferença social. Isto é, os que foram enterrados com as ferramentas viviam nas melhores terras, segundo os cientistas.

Para chegar a essa conclusão, a equipe liderada por Alex Bentley, professor de arqueologia e antropologia da Universidade de Bristol, fez análises químicas que conseguiram identificar o lugar de origem dos corpos.

“Os homens com as ferramentas aparentaram ter vivido em áreas de cultivo férteis e produtivas, o que indica que eles tinham acesso a essas áreas”, disse Bentley.

A análise também relevou que as mulheres, em sua maioria, não estavam enterradas em seu local de origem, o que sugere que se mudavam de acordo com a vivência com um homem.

A evidência mostra uma forte indicação de que essa sociedade já era patriarcal, ou seja, de que as mulheres seguiam os homens ao se casarem.

“Isso significa que no período neolítico foi introduzida a propriedade hereditária na Europa e a desigualdade social”, disse o professor.

G1

29/05/2012

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/05/desiguadade-social-comecou-no-periodo-neolitico-sugere-estudo.html

ANIMAL É O ÚNICO, ALÈM DOS HUMANOS, COM ESSE COMPORTAMENTO.
 
02/01/2012 – G1 

 

Uma pesquisa publicada na edição da última sexta-feira (29) da revista científica “Current Biology” mostra que um chimpanzé é capaz de entender o conhecimento e a percepção que outro chimpanzé tem do ambiente. Esse comportamento só era conhecido entre humanos até então.

O estudo foi feito com base em alarmes emitidos pelos chimpanzés para alertar quanto à presença de cobras venenosas. Os alarmes de predadores são comuns entre os animais, mas o trabalho dos pesquisadores da Universidade de St. Andrews, na Grã-Bretanha, e do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, em Leipzig, na Alemanha, descobriram uma nova característica.

Os chimpanzés emitem esse alarme com mais frequência se seus companheiros não tiverem notado a presença da cobra. Se todos os chimpanzés do grupo percebem o predador, então a tendência é de que eles não chamem a atenção uns dos outros. Isso sugere que esses animais são capazes de reconhecer o conhecimento e a ignorância dentro da própria espécie.

“Os chimpanzés realmente parecem levar o conhecimento um do outro em conta e produzir um chamado de advertência para informar os demais de um perigo que eles desconhecem”, afirmou Roman Wittig, pesquisador do Max Planck, em material divulgado pelo instituto.

A pesquisa sugere ainda que os chimpanzés já possuíam essa capacidade 6 milhões de anos atrás, quando nossos ancestrais se dividiram deles na árvore evolutiva.

Depois de passar quase 200 mil anos vivendo em pequenos grupos nômades, os seres humanos (ou alguns deles, pelo menos) resolveram que era hora de assentar, criando vilas e cidades. A questão é: por quê?

Durante muito tempo, a resposta-padrão foi simples: por causa da invenção da agricultura. Ao descobrir maneiras de produzir alimentos em grande escala, certos povos que viveram a partir de uns 10 mil anos atrás desencadearam uma explosão populacional que foi resolvida com outra invenção, a da vida urbana.

Acontece que a sequência verdadeira pode ser exatamente a oposta, indicam dados arqueológicos que se acumularam nos últimos anos.

  Editoria de arte/Folhapress  

FÉRTIL

Ao menos no Crescente Fértil -a região que engloba países como Iraque, Israel, Turquia e Síria, considerada o berço da civilização ocidental-, as pessoas parecem ter primeiro se juntado em assentamentos densos e só depois -em parte como consequência da aglomeração- ter desenvolvido o plantio e a criação de animais.

“No Oriente Médio, o consenso é que essa foi a sequência”, diz Eduardo Góes Neves, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP.

E o processo parece ter começado muito antes do momento em que a agricultura propriamente dita entra em cena. O exemplo mais extremo talvez seja o sítio arqueológico de Ohalo II, localizado na margem sudoeste do mar da Galileia, em Israel.

Há cerca de 25 mil anos, uma área de cerca de 2.300 m2 estava ocupada por cabanas. Restos de plantas -quase 150 espécies diferentes, entre as quais trigo e cevada selvagens- indicam que pessoas moravam ali o ano todo, o que sugere sedentarismo.

Conforme os milênios vão passando, sítios assim aparecem por todo o Crescente Fértil, com indícios de população cada vez maior. O número de espécies vegetais usadas se reduz -os preferidos passam a ser os cereais de sementes grandes e leguminosas, como as lentilhas.

Mas essas plantas continuam com suas características selvagens, o que indica que apenas estavam sendo coletadas mais intensivamente. Da mesma maneira, a caça consumida pelos grupos mais sedentários fica menos diversificada, concentrando-se em poucas espécies que se reproduzem rápido, como lebres, raposas e aves.

É só quando a intensificação de uso dos recursos “selvagens” chega ao limite que sinais claros de vegetais cultivados aparecem.

Qual teria sido, então, o gatilho para a formação das vilas densamente povoadas? Uma possibilidade, diz Góes Neves, é que elas fossem centros cerimoniais ou religiosos, que serviam de ponto de encontro para a população de toda uma região.

“O interessante dessa ideia é que ela foge do raciocínio economicista”, diz. “A intensificação da produção de alimentos como cevada poderia ter uma função social, ritual: produzir cerveja”, diz.

Significado de cada expressão facial varia de acordo com a cultura.
Pesquisa comparou definições de europeus e asiáticos.

 

Um estudo sugere que a interpretação das expressões faciais humanas são uma questão cultural, e não são iguais em todo o mundo.

A descoberta traz um argumento importante para a discussão, que ocupa especialistas das áreas das ciências sociais e biológicas desde o século 19.

Os autores concluem que a ideia de que as expressões faciais são universais não passa de um mito.

Essa hipótese diz que, pela origem biológica e evolucionária em comum, todos os seres humanos usam os mesmos movimentos faciais para expressar seis estados de emoção básicos: felicidade, surpresa, medo, nojo, raiva e tristeza.

Para testar a hipótese, a equipe liderada por Rachel Jack, da Universidade de Glasgow, na Escócia, teve uma ideia relativamente simples – consultar pessoas de diferentes etnias e culturas. A questão era fazer isso de forma cientificamente confiável.

A pesquisa envolveu 30 voluntários – 15 brancos de origem europeia e 15 asiáticos do Extremo Oriente – e um programa de animação gráfica em três dimensões. O computador mostrava faces das duas etnias aleatoriamente e os participantes deveriam determinar o que a pessoa retratada estava sentindo – dentre os seis estados básicos –, e em qual intensidade.

Duas diferenças de avaliação levaram os autores à conclusão de que expressões não são universais.

Em primeiro lugar, enquanto os brancos viram uma distinção nítida entre as seis emoções, os asiáticos perceberam uma interseção entre surpresa, medo, nojo e raiva.

Além disso, a região do rosto que expressa os sentimentos é diferente para os dois povos. Os asiáticos viram felicidade, medo, nojo e raiva expressos nos olhos, enquanto os brancos perceberam esses sentimentos com mais intensidade em outras partes.

“Ao refutar a hipótese da universalidade, aceita por muito tempo, nossos dados destacam a forte influência da cultura na moldagem de comportamentos básicos, que eram considerados biologicamente conectados”, afirma o artigo publicado pela “PNAS”, revista da Academia Americana de Ciências.

17/04/2012

G1

Insetos mostraram que são capazes de relacionar objetos diferentes.

As análises cognitivas são possíveis mesmo na ausência de linguagem.

As abelhas são capazes de levar em consideração as relações entre objetos, assim como conceitos abstratos – um privilégio que se acreditava reservado a cérebros dos mamíferos -, revela um estudo do Centro Nacional de Pesquisa Científica francês (CNRS, na sigla em francês).

O fato de as abelhas poderem utilizar simultaneamente duas ideias abstratas é um resultado “completamente inesperado” que põe abaixo o pressuposto de que “a elaboração de um saber conceitual” necessita de um cérebro do tamanho do dos mamíferos, como o ser humano, destacam os cientistas neste estudo, publicado pela revista “PNAS”, da Academia Americana de Ciências.

Em sua vida cotidiana, o ser humano utiliza os conceitos que relacionam objetos diferentes através de sistemas do tipo: “igual”, “diferente”, “maior”, “acima de”.

 

A equipe do professor Martin Giurfa, do CNRS, demonstrou que as abelhas também eram “capazes de gerar e depois manipular conceitos para ter acesso a uma fonte de alimento”.

“O notório”, disse o professor, ouvido por telefone, “é que podem, inclusive, utilizar dois conceitos diferentes para tomar uma decisão, ante a uma situação nova”.

As abelhas demonstraram que podem conseguir água com açúcar (a sua recompensa) ou a um líquido azedo (castigo) mediante dois orifícios colocados entre imagens que variavam de posição. Se serviam para isso das noções “acima de” ou “ao lado de”, que associavam com o prêmio ou a punição.

“Ao final de 30 tentativas, as abelhas passavam a reconhecer, sem equívocos, a relação que as guiaria para a água açucarada”, mesmo “quando eram utilizadas imagens que não viram nunca”, explicou o professor Giurfa.

Segundo os cientistas, a experiência pôs em destaque que as abelhas ignoravam os estímulos realizados com imagens idênticas, “demonstrando que, além dos conceitos ‘acima, abaixo e ao lado’ manipulavam simultaneamente o de ‘diferença’ para tomar sua decisão”.

“Esta capacidade, que se acreditava própria dos seres humanos e de alguns primatas, demonstra que as análises cognitivas sofisticadas são possíveis, na ausência de linguagem, apesar de uma arquitetura neural em miniatura”, concluíram.

Essa investigação, assegura o CNRS em comunicado, “questiona muitas teorias em âmbitos como a cognição animal, a psicologia humana, as neurociências e a inteligência artificial”.

 

30/04/2012 18h05

Seleção sexual continua atuando, apesar da prática da monogamia. Conclusão é de estudo apresentado pela revista científica “PNAS”.

 Tadeu Meniconi Do G1, em São Paulo
 
 Um estudo publicado nesta segunda-feira (30) pela revista científica “PNAS”, da Academia Americana de Ciências, indica que o ser humano continua sendo influenciado pela evolução, mesmo com as mudanças culturais ocorridas nos últimos 10 mil anos, desde que a Revolução Agrícola levou ao surgimento das civilizações.
 
Mesmo em uma sociedade monógama, os humanos estão sujeitos à seleção sexual, um aspecto essencial na teoria da evolução de Charles Darwin. Por esse conceito, o sucesso de um indivíduo é medido pela quantidade de descendentes que ele deixa. Assim, suas características genéticas são deixadas para as gerações seguintes e tendem a se perpetuar na espécie.

“É como um livro. Se ele é bom, é reeditado várias e várias vezes”, comparou Alexandre Courtiol, pesquisador do Instituto Wissenschaftskolleg de Berlim, na Alemanha, um dos autores do estudo.

Segundo ele, o estudo serve como uma evidência contra a suposição de que a vida em sociedade teria deixado os humanos “imunes” à evolução.

A pesquisa foi feita com base em dados de cerca de 6 mil finlandeses que viveram entre os anos de 1760 e 1849. As informações mantidas pela Igreja dizem respeito a mortes, nascimentos, casamentos e situação econômica de cada um.

Foi o suficiente para que a equipe internacional de pesquisadores investigasse o efeito da seleção sexual, analisando o número de filhos de cada indivíduo.

A equipe de Courtiol chegou à conclusão de que os principais fatores que levaram à variação no sucesso reprodutivo dos indivíduos foram a sobrevivência aos primeiros anos de vida e a fertilidade. A riqueza não provocou diferenças significativas neste aspecto.

De forma geral, a possibilidade de seleção detectada nesta população humana está de acordo com medições feitas em outras espécies.

Courtiol afirmou, no entanto, que ainda não é prever como evolução pode afetar o futuro dos seres humanos.

Todo mundo conhece alguém que adora falar de si mesmo, contando detalhes da vida pessoal que não interessam a ninguém – principalmente na era das redes sociais. Agora, uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (7) mostra o motivo: falar de si aciona áreas do cérebro ligadas ao prazer.

A pesquisa, feita por Diana Tamir e Jason Mitchell, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, foi publicada na edição desta semana da revista da Academia Americana de Ciências, a PNAS.

No estudo, um grupo de voluntários foi chamado para ou revelar a própria opinião ou julgar a opinião de uma outra pessoa, dependendo do caso. Tudo isso enquanto seus cérebros eram monitorados.

A dupla de cientistas descobriu que quando os voluntários falavam daquilo que acreditavam, acionavam a área do cérebro responsável pelo prazer sentido após atividades como comer, fazer sexo ou receber um pagamento.

Em uma segunda fase, os participantes tiveram oportunidades diversas para falar de si mesmos em troca de diferentes recompensas financeiras. A maioria abriu mão de ganhar entre 17% e 25% do dinheiro em troca de poder revelar mais informações pessoais.

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