Leandro Marshall

Raio X da ciência na imprensa

Publicado por: Leandro Marshall em: outubro 27, 2009

Monitoramento de 62 jornais ao longo de dois anos aponta desafios para cobertura da área no Brasil

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Foram apresentados nesta terça-feira (13/10/09) os resultados do mais abrangente monitoramento já feito sobre a cobertura de ciência, tecnologia e inovação na imprensa brasileira. O estudo analisou as notícias publicadas sobre esse tema em 62 jornais ao longo de dois anos. Os resultados permitiram traçar um diagnóstico de como a mídia brasileira cobre ciência e apontar as principais deficiências dessa cobertura e os desafios para aprimorá-la.

O projeto foi realizado pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi).

Os resultados foram avaliados em um workshop realizado em Belo Horizonte, com a presença de jornalistas e gestores da área de ciência, tecnologia e inovação. O documento será atualizado a partir das discussões realizadas durante o evento e publicado na forma de livro. Confira um sumário executivo e a versão completa do relatório discutido no workshop.

Para Luiz Guilherme Queiroz Gomes, consultor de comunicação social da Fundep, o estudo é importante porque alimenta a reflexão sobre a comunicação de ciência, tecnologia e inovação no Brasil. “Esse monitoramento aponta onde temos falhado, para que lado precisamos avançar, quais temáticas precisam ganhar espaço e quais fontes precisam ser ouvidas”, avalia. “A partir dessa reflexão, podemos elaborar estratégias e recomendações que possam contribuir para avançarmos nessa área.”

Dois anos de ciência nos jornais
O estudo analisou vários parâmetros de uma amostra de 2.599 notícias publicadas em 2007 e 2008 nos 62 jornais usados no trabalho. As matérias foram selecionadas a partir de palavras-chave ligadas ao universo da ciência, tecnologia e inovação. A distribuição dessas notícias foi desigual: os quatro diários de abrangência nacional analisados publicaram um quarto das notícias monitoradas em 2008, com uma média de 2,3 notícias por dia – nos jornais regionais, a média foi de 0,6 por dia.

As ciências da saúde são a área com maior visibilidade, aparecendo com 28% das notícias analisadas, seguidas pelas ciências biológicas (21%) e pelas ciências exatas e da terra (18%). As ciências humanas e sociais aplicadas são as que tiveram menos espaço – juntas, elas respondem por menos de 18% dos textos.

O monitoramento apontou as principais fragilidades na cobertura dos temas analisados. A falta de contextualização das notícias é o calcanhar de Aquiles do jornalismo de ciência: cerca de 86% das notícias avaliadas apresentaram poucos ou nenhum elemento de contextualização que permitisse colocar o fato noticiado em perspectiva.

Da mesma forma, falta à cobertura da área apresentar as notícias sob uma maior pluralidade de pontos de vista. Mais da metade dos textos analisados (55%) foi feita a partir da consulta a uma única fonte. Além disso, apenas 13% dos textos analisados apontaram algum grau de incerteza na atividade científica, e as discussões éticas apareceram em apenas cerca de 12% dos textos.

Outro dado alarmante é a incapacidade do jornalismo de ciência de enxergar as grandes questões da ciência para além das pesquisas pontuais noticiadas. Os textos analisados no estudo se dedicavam na maior parte a noticiar estudos científicos ou avanços tecnológicos específicos; apenas 15% deles promoveram discussões sobre ciência de forma mais ampla.

Demanda por qualificação
Para o secretário-executivo da Andi, Veet Vivarta, os resultados do monitoramento apontam a necessidade de se investir na formação dos jornalistas da área. “A boa notícia é que o espaço para pautas de ciência, tecnologia e inovação está dado e que há ótimos exemplos de cobertura de qualidade, mas ainda não são a média”, avalia. “Há uma demanda por capacitação e qualificação, e ela atinge não só as próprias redações, mas também as fontes de informação, que são o outro lado da notícia.”

Os resultados vão ajudar ainda a elaborar estratégias para aproximar os veículos da imprensa e o público. O diretor do Departamento de Difusão da Ciência do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Ildeu Moreira, analisou os resultados à luz de uma enquete sobre a percepção pública da ciência promovida em 2006 pelo MCT.

“Essa enquete mostrou que uma percentagem importante do público tem interesse declarado pela ciência e pouca informação sobre a área”, lembrou Moreira. “Além disso, tanto os cientistas quanto os jornalistas contam com grande credibilidade junto ao público, o que reforça a responsabilidade de ambas as categorias ao noticiar temas ligados à ciência.”
Bernardo Esteves (*)
Ciência Hoje On-line
13/10/2009

 

Jornalista de Harvard abre MediaOn com painel sobre futuro da mídia

Publicado por: Leandro Marshall em: outubro 27, 2009

Com a consolidação da internet, o negócio do jornalismo não será mais tão lucrativo quanto antes. Essa é a opinião de Joshua Benton, diretor do laboratório de mídia da Universidade Harvard, nos EUA. Benton será o responsável pela abertura nesta terça-feira (27/10/09), às 19h30, do MediaOn 2009 – 3º Seminário Internacional de Jornalismo Online. Em pauta, o tema “Como o jornalismo de qualidade pode sobreviver e prosperar na era da internet”, moderado pelo jornalista Ricardo Lessa, da Globonews. Antes do painel, Benton conversou com o Terra sobre o impacto da rede mundial de computadores na mídia tradicional. Confira os melhores momentos da entrevista:

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Qual será o maior desafio enfrentado pelo jornalismo de qualidade nos próximos anos?
O jornalismo como um todo experimentará uma irreversível tendência de queda em suas receitas com publicidade. Até agora, estávamos acostumados a um grande veículo deter o monopólio da informação e, se alguém quisesse ficar bem informado, teria de comprar o jornal. Com a internet cada vez mais consolidada, o negócio do jornalismo não será mais tão lucrativo quanto costumava ser. Será preciso encontrar formas de sobreviver a esta nova realidade, que terá muito menos dinheiro envolvido.
Como será, então, este cenário? Quem pagará pelo almoço da boa informação?
(Risos) Lógico que, apesar da inevitável diminuição, a receita com anúncios sempre existirá. Haverá quem pague para imprimir as notícias. Esta será uma fonte, ainda oriunda do público. Outra possibilidade é que gente rica que reconheça a importância desta atividade se disponha a ser uma espécie de mecenas do jornalismo qualificado, patrocinando os veículos. Por último, haverá muitos veículos que exercerão o jornalismo como uma espécie de missão pessoal ou coletiva, de graça.
Existe esperança para os grandes veículos e jornalistas que estudaram e se formaram para exercer a profissão?
Eu me solidarizo com os jornalistas, muitos meus amigos, mas a verdade é que o jornalismo como negócio encolheu e vai continuar encolhendo. Empresas quebrarão e profissionais perderão seus empregos. A nova realidade será a dispersão das fontes de informação em diversos pequenos veículos, com as fontes de receita mencionadas acima. Se este jornalismo terá ou não qualidade é outra discussão.
Sobre o MediaOn
O MediaOn começa nesta terça-feira em São Paulo e é uma realização do Instituto Itaú Cultural e do Terra, empresa de internet e mídia digital líder na América Latina, e tem apoio da BBC Brasil e da CNN. A programação do evento inclui profissionais das principais mídias do mundo, como Nathalie Malinarich, editora-executiva de Mundo da BBC, Nick Wrenn, vice-presidente de Serviços Digitais da CNN Internacional, Marcos Foglia, gerente de Novas Mídias do Clarín Global, da Argentina, e Pierre Haski, editor-chefe do site francês Rue89.com.
Entre os debatedores brasileiros estão Antonio Guerreiro, gerente de conteúdo do recém-lançado portal R7, da TV Record, Pedro Doria, editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado, Danilo Gentili, repórter do CQC, programa de jornalismo e humor da TV Bandeirantes; Altino Machado – Blog da Amazônia, de Terra Magazine, e Camilla Menezes, twitter de Mano Menezes, José Henrique Mariante, editor de Esporte na Folha de S.Paulo; Luiz Fernando Gomes, editor-chefe do Grupo Lance!, e Julio Gomes, editor do ESPN.com.br e do ESPN 360.

A migração da audiência para a internet está acelerando.

Publicado por: Leandro Marshall em: outubro 15, 2009

O numero de americanos que regularmente acessam a web para ler noticias aumentou 19% nos ultimos 2 anos.

Apenas em 2008, o trafego dos 50 maiores sites de noticias subiu 27%.

As informações sao da edição 2009 da pesquisa State of the News Media, divulgada pelo Project for Excellence in Journalism.

O estudo é extenso e trata de jornais, internet, TV, revistas e midia segmentada.

Entre as conclusões, uma sobre a receita publicitária. Segundo a pesquisa, o modelo baseado em publicidade, que financiou o jornalismo nos últimos 100 anos, “vai ser inadequado para fazer o mesmo neste seculo”.

A receita com a publicidade online nos sites de noticias parece estar estacionando, enquanto que nos jornais impressos está em declínio. Alternativas a esse modelo estão sendo ou já foram exploradas (micro pagamentos, jornais como organizações sem fins lucrativos, copiar o modelo da TV a cabo), e há um consenso no momento de que não há uma única solução para o problema.

Outra tendência analisada pelo estudo – o poder está migrando das ‘instituições’ jornalísticas para o jornalista individuo. “Através de ferramentas de busca, email, blogs e midia social, os consumidores estão girando em torno do trabalho de indivíduos e distanciando-se das marcas (do jornalismo)”.

Sem exagerar a tendência, a pesquisa indica que há sinais de um novo futuro – jornalistas individuais, com receita obtida de diferentes origens, oferecendo cobertura especializada. “Será necessário para o consumidor ser seletivo”, diz o estudo.

A mente apaga registros duplicados

Publicado por: Leandro Marshall em: outubro 6, 2009

Por Airton Luiz Mendonça
(Artigo do jornal O Estado de São Paulo)

O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.

Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio… você começará a perder a noção do tempo.

Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.

Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.

Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:

Nosso cérebro é extremamente otimizado.

Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.

Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.

Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar
conscientemente tal quantidade.

Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.

É quando você se sente mais vivo.

Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e ‘apagando’ as experiências duplicadas.
Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.

Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.

Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.

Como acontece?
Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência).

Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo.

Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.

Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir – as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -… enfim… as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.

Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.

Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a…

ROTINA

A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.

Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque).

Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.

Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.

Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).

Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.

Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.

Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.

Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.

Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.

Seja diferente.

Por que escrevemos em menos de 160 ou 140 caracteres

Publicado por: Leandro Marshall em: outubro 6, 2009

Vc já se perguntou por que as mensagens de SMS tem no maximo 160 caracteres (algumas até menos que isso) e por que o Twitter limita em 140?

O Los Angeles Times publicou uma matéria sobre o homem que determinou o limite de 160 caracteres<http://latimesblogs.latimes.com/technology/2009/05/invented-text-messaging.html> e como foi que ele chegou a esse número.

Se vc pensa que houve uma longa e profunda pesquisa envolvendo engenheiros, está errado.

O responsável por estabelecer o máximo de 160 caracteres foi o alemao Friedhelm Hillebrand, que em meados dos anos 80 era chairman de um comitê de serviços de dados na Global System for Mobile Communications, um grupo que formava parâmetros para o mercado global de comunicaçao mobile.

Hillebrand sentou diante de uma máquina de escrever em sua casa e datilografou uma serie de frases e perguntas em uma folha de papel. Depois, contou as letras, numeros, pontuaçoes e espaços. Quase todas as frases tinham uma ou duas linhas e menos de 160 caracteres. “Isso é perfeitamente suficiente” – concluiu.

No Twitter, explica o LA Times, 140 caracteres sao destinados ao texto e os 20 restantes sao reservados ao endereço que identifica o usuário.

60% dos internautas desistem do Twitter após um mês no site, diz estudo

Publicado por: Leandro Marshall em: outubro 6, 2009

Segundo Nielsen Online, índice de retenção fica em 40%.
Para especialista, número de novos usuários não compensará os perdidos.

Da Reuters

As pessoas que usam o serviço de microblog Twitter hoje podem desistir do serviço amanhã, de acordo com dados que questionam o sucesso a longo prazo da mais recente sensação das redes sociais.

Dados da Nielsen Online, que mede o tráfego da internet, constataram que mais de 60% dos usuários do Twitter deixaram de usar o site gratuito um mês depois de aderirem.

“O índice de retenção de audiência do Twitter, ou a porcentagem dos usuários em um determinado mês que continuam a usar o site no mês seguinte, é atualmente da ordem de cerca de 40%”, informou David Martin, vice-presidente de pesquisa primária da Nielsen Online, em comunicado.”Pela maior parte dos 12 meses passados o Twitter manteve índice de retenção da ordem de 30%”, acrescentou.

Sucesso

O Twitter foi criado três anos atrás como um serviço de internet que permite que as pessoas acompanhem mensagens de no máximo 140 caracteres, ou “tweets”, de amigos ou celebridades, que podem ser lidos em computadores ou em aparelhos portáteis, como telefones celulares.

Mas o serviço vem desfrutando de um surto recente de popularidade devido à adesão de celebridades como o ator Ashton Kutcher e a apresentadora de televisão Oprah Winfrey, que o elogiaram publicamente e enviam “tweets” para alertar os leitores sobre notícias urgentes ou informá-los quanto às atividades mais mundanas dos remetentes. O presidente norte-americano, Barack Obama, usou o Twitter durante a campanha eleitoral do ano passado, e outras celebridades no Twitter incluem o astro do basquete Shaquille O’Neal e as cantoras Britney Spears e Miley Cyrus.

O Twitter é uma empresa de capital fechado e não revela seu número de usuários, mas de acordo com a Nielsen Online recebeu mais de 7 milhões de visitantes em fevereiro deste ano, ante 475 mil em fevereiro do ano passado. No entanto, Martin diz que um índice de retenção de 40% limitaria o crescimento do site a um alcance de 10%, no longo prazo.

“Simplesmente não existem usuários novos suficientes para compensar os perdidos, depois de um certo ponto”, afirmou ele.

Brasileiros passam mais tempo na internet do que na TV

Publicado por: Leandro Marshall em: abril 1, 2009

 

 

sexta-feira, 27 de março de 2009

 

 

Os brasileiros passam três vezes mais tempo por semana conectados à internet do que assistindo televisão, segundo pesquisa da Delloite.

 

O levantamento diz que a maioria das pessoas (81%) cita o computador como meio de entretenimento mais importante do que a TV.


Segundo o estudo, os consumidores gastam, atualmente, 82 horas por semana utilizando diversos tipos de mídia e de entretenimento tecnológico, como o celular, e que estes são altamente voltados para atividades on-line e bastante interessados em novos tipos de mídia e tecnologia.


Denominada “Futuro da Mídia”, a pesquisa constatou também que 58% dos participantes veem os videogames, jogos no computador e on-line como importantes fontes de entretenimento. Além disso, verificou que 50% dos entrevistados estão atentos aos lançamentos tecnológicos e tentam adquirir rapidamente esses equipamentos, e 47% usam o celular como dispositivo de entretenimento.


A interação com esses mecanismos de entretenimento e o fato de os usuários serem os próprios provedores de conteúdo de suas mídias preferidas foram fatores bastante destacados na pesquisa, sendo que 83% dos entrevistados disseram fazer seu próprio conteúdo de entretenimento por meio, por exemplo, da edição de fotos, vídeos e músicas.


O levantamento apurou que as atividades mais frequentes na internet são a utilização de ferramentas de busca, leitura de notícias nacionais e locais, consulta à previsão do tempo, atualização sobre acontecimentos factuais e busca de conteúdos de interesse pessoal, como músicas, pesquisas para escola ou trabalho e sobre produtos.


Um dado que chama atenção é que a maioria dos entrevistados disse se sentir limitada em razão da velocidade de conexão à web. Do total, 85% afirmaram estar dispostos a pagar mais para ter conexões mais velozes, sendo as pessoas da faixa etária acima de 43 anos as mais dispostas a arcar com um custo maior.


De acordo com a pesquisa, a faixa etária de 26 a 42 anos é a mais envolvida com atividades interativas na internet, como assistir a programas de TV ou usar o computador para chamadas telefônicas.

 

Considerando todos os grupos, a atividade mais realizada na internet é a criação de conteúdos pessoais para serem acessados por outras pessoas, como websites, fotos, vídeos, músicas e blogs.

 
O estudo revelou ainda que um total de 92% dos entrevistados possui celular e que, entre os aplicativos disponíveis no aparelho, as mensagens de texto são as mais utilizadas (92%), seguidas da câmera digital (78%), jogos (67%) e a câmera de vídeo (62%).


Esta é a terceira edição da pesquisa, que pela primeira vez incluiu o Brasil no quadro de países participantes, que teve ainda os Estados Unidos, Japão, Alemanha e Grã-Bretanha. Foram ouvidas cerca de 9 mil pessoas no total, 1.022 no Brasil, com o objetivo de traçar um cenário sobre como os consumidores se relacionam com a mídia e identificar quais as tendências para os próximos anos.

Escutatória

Publicado por: Leandro Marshall em: março 3, 2009

Rubem Alves

 

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar…. Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.

 Escutar é complicado e sutil.

Diz Alberto Caeiro que… Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.

 É preciso também não ter filosofia nenhuma..

 Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas.

 Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

 Parafraseio o Alberto Caeiro:

Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito.

 É preciso também que haja silêncio dentro da alma.

 Daí a dificuldade:

 A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor…

 Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.

 Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração.. .

 E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

 Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade.

 No fundo, somos os mais bonitos…

 Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.

Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala.

 Há um longo, longo silêncio.

 Vejam a semelhança…

Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio…

Abrindo vazios de silêncio… Expulsando todas as idéias estranhas.

Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala.

 Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.

 Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos. ..

 Pensamentos que ele julgava essenciais.

São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.

 Se eu falar logo a seguir…. São duas as possibilidades.

Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza.

 Na verdade, não ouvi o que você falou.

 Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala.

 Falo como se você não tivesse falado.

 Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo.

 É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.

 Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

 O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.

 E, assim vai a reunião.

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.

E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

 Eu comecei a ouvir.

 Fernando Pessoa conhecia a experiência…

 E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras… No lugar onde não há palavras.

 A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.

 No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.

 Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia….

 Que de tão linda nos faz chorar.

 Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio.

 Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também.  Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

Internet passa jornais e vai passar TV

Publicado por: Leandro Marshall em: fevereiro 11, 2009

 

pew internet newspapers

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As duas imagens deste texto dão uma idéia do tamanho do problema que a indústria de notícias já enfrenta, hoje, e também a pedreira daqui pra frente.  à esquerda, um gráfico do pew research center for people and the press mostra que os jornais foram superados pela internet, este ano, como fonte de informação nos EUA.

Entre 2007 e 2008, as notícias dos jornais ganharam 1% de audiência, as da TV perderam 4% e a internet –como fonte de informação- ganhou 16%. os totais de audiência, somados, passam de 100% porque a resposta é de escolhas múltiplas. de seu pico, em 2002, a TV perdeu 12 pontos; do pico de 2003, o rádio perdeu 15 pontos. por outro lado, de sua base de 2001, que é quando banda começa a se tornar realmente disponível para a internet nos EUA, a audiência para notícias, na rede, saiu de 13 para 40 pontos. sinal dos tempos.

internet empata com tv entre os jovens.

 

 

 

 

 

 

 

Mas mudança ainda mais radical já é percebida na faixa etária entre 18 a 29 anos.  Olhe a outra tabela: nela, a internet já empata com TV como principal fonte de informação, enquanto rádio, jornais e revistas estão muito atrás. para os mais jovens, TV perdeu 11 pontos entre 2007/8 e a internet cresceu 25 pontos. isso pode ser resultado do interesse despertado pela campanha eleitoral americana, com o time vencedor usando a rede ostensivamente e atraindo, para lá, uma grande parcela dos mais jovens… ou vice-versa: o fato dos jovens estarem na rede fez o time de obama levar boa parte da campanha para lá e, com isso, quem já vivia a campanha, na rede, acabou vendo as notícias sobre a eleição e outras por lá mesmo. e pode ser uma combinação –definitiva- dos dois fatores.

Estes resultados estão em linha com dois textos recentes deste blog, um sobre o destino [quase certo] dos jornais de papel, de 2 de dezembro passado, quando falávamos de mais de 13 mil jornalistas e pessoal auxiliar demitidos nos EUA, no ano, até então. nos últimos dias de 2008, mais 2 mil perderam o emprego levando a mais de 15.500 demissões no setor, nos EUA, em um único ano. no primeiro mês de 2009, quase 1.000 jornalistas e e assistentes já foram demitidos por lá. é como se toda uma era, incluindo a dos grandes jornais, estivesse chegando ao fim, com ícones como o new york times e o chicago tribune em vias de passar, também, para a história. o outro texto era sobre o crescimento da publicidade na internet, no brasil, que vem aumentando aí pelos 45% por ano, ritmo no qual deve passar rádio em 2009, depois de já ter empatado, em 2008, com TV por assinatura. e o total do investimento em propaganda, por sinal, deve cair na soma de todos os meios à medida que a internet cresce… como diz jeff zucker, da NBC, a revolução da informação é a transformação de dólares analógicos em centavos digitais.

E no brasil, quando é que veremos coisas como o PEW está descobrindo nos EUA? sem contar com mais e melhores pesquisas sobre comportamento na internet, pra começar, precisamos de muito mais banda e universalização. outro texto publicado aqui no blog, em setembro, relatava uma pesquisa da universidade de oxford onde o brasil aparece no honroso terceiro lugar… de baixo pra cima, em uma lista de 42 países, quando o assunto é qualidade da banda larga. ainda precisamos descobrir, por aqui, que quem não tem banda larga [mesmo] não tem internet.

JOVEM VÊ MENOS TV

Publicado por: Leandro Marshall em: fevereiro 11, 2009

Uma pesquisa recém-divulgada nos Estados Unidos, conduzido pela empresa de consultoria Deloitte, mostra que, quanto mais jovem o telespectador, menos tempo ele passa em frente à TV.

A audiência que tem entre 14 e 25 anos assiste à televisão 10,5 horas por semana.

O número aumenta de acordo com a idade, chegando a 21,5 horas/semana entre os espectadores com mais de 60 anos.

A sondagem sugere que os jovens preferem ver o conteúdo para TV, como as séries, nas telas do computador.

De acordo com a pesquisa, as horas que o adolescente norte-americano médio costumava passar diante da televisão estão agora sendo dedicadas a vídeo-game, música e internet.

A Deloitte também aferiu a assiduidade com que o norte-americano vai ao cinema, alcançando resultado inverso: quanto mais avançada a idade, menos idas à sala escura.


  • ceilasantos: Leandro, quando você diz que a nova realidade será a dispersão da informação por meio de pequenos e diversos veículos. Como eles sobreviveriam s
  • Leandro Marshall: Meu mestrado está publicado como livro. O Jornalismo na Era da Publicidade, ed. Summus, 2 edição. abs Leandro M.
  • mariedujour: Olá professor, muito bom o seu blog! Mas o que me motivou a escrever essa mensagem foi o seu trabalho sobre jornalismo transgenico. Irei fazer minha

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