Publicado por: Leandro Marshall em: Janeiro 22, 2009
Os americanos estao assistindo mais TV e usando mais a internet – e boa parte desse consumo ocorre ao mesmo tempo.
Segundo pesquisa da Nielsen, uma pessoa nos EUA vê em média 142 horas de TV por mês, 4% a mais que no ano passado.
Um usuário de internet passa online 27 horas por mês, 6% a mais que em 2007.
De acordo com a pesquisa 31% do consumo dessas mídias é simultâneo.
A notícia é do The Live Feed<http://www.thrfeed.com/2008/11/nielsen-tv-use.html>, blog do Hollywood Reporter. Blue Bus<mailto:200@bluebus.com.br>
Publicado por: Leandro Marshall em: Setembro 27, 2008
O portal Technorati<http://www.technorati.com/> publicou, na última segunda-feira (23), a edição atualizada de sua pesquisa “State of Blogosphere”, sobre a atual situação dos blogs na rede mundial de computadores. Nela, são constatadas informações gerais, desde a identificação dos usuários que fazem uso da ferramenta aos motivos que os levam a utilizá-la.
Na primeira parte, o portal se dedicou a divulgar os diversos perfis dos blogueiros ao redor do mundo, chegando a um total de 133 milhões de blogs indexados desde 2002. A princípio, considerando que esse tipo de ferramenta é “um fenômeno global”, a pesquisa aponta que há blogs publicados em 81 idiomas. Coletivamente, os usuários criam cerca de um milhão de posts diariamente, sendo que metade deles já está em seu segundo blog – alguns alcançaram a marca da oitava página pessoal – e 59% utiliza o serviço há mais de dois anos.
Com diversos infogramas e gráficos ilustrando as estatísticas, o Technorati informa que os blogueiros não são, de forma alguma, um grupo homogêneo, se dividindo em três setores: pessoal (de interesse particular), profissional (sobre seu mercado profissional em blog não-oficial) e corporativo (sobre e para uma empresa). A pesquisa aponta também que, de cada cinco blogs, quatro são de cunho pessoal.
Ainda nesta primeira parcial, o portal indica que dois terços dos blogueiros são homens, 70% possuem nível universitário e 44% são pais. Apesar de ter sido ministrada em inglês, os pesquisadores ressaltam que foram ouvidos usuários de 66 países e foi constatado que a maioria não vive próximo às áreas das grandes metrópoles. Em contrapartida a este dado, nos Estados Unidos, a maior parte dos internautas se concentra na área litorânea de São Francisco, seguido por Nova York, Chicago e Los Angeles. No geral, o estudo mostra, ainda, que os blogueiros norte-americanos possuem maior nível de escolaridade que a população geral da Internet.
Na segunda parte da pesquisa, publicada nesta terça-feira (23), o Technorati informa os motivos dos usuários optarem por ter um blog e o que é veiculado nas páginas. A expressão pessoal e o relacionamento com pessoas que têm as mesmas idéias foram apontadas como as principais razões para blogar, tendo a satisfação pessoal como o grande sinal de sucesso com o blog. Ainda, 42% dos usuários esperam receber retorno financeiro com seus blogs algum dia.
O relatório será detalhado ao longo de cinco dias e indicará como os internautas blogam, como funciona para aqueles que o fazem para obter lucro e, por fim, o espaço dado às marcas na “blogosfera”. Para ver e acompanhar o restante da pesquisa, clique aqui<http://www.technorati.com/blogging/state-of-the-blogosphere/>.
Publicado por: Leandro Marshall em: Maio 14, 2008
Da Efe, em Madri
Os jovens latino-americanos preferem usar a internet a assistir televisão, embora a maioria não disponha de acesso à rede em sua casa, segundo a primeira pesquisa realizada pela Universidade de Navarra e pelo programa Educared da Fundação Telefónica, na qual participaram 7 países da América Latina.
A Telefónica divulgou nesta sexta-feira (9) os primeiros dados do levantamento do qual participaram 22 mil estudantes de mais de 200 centros educativos de Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela. A pesquisa foi realizado entre julho e outubro de 2007.
Trata-se do primeiro estudo que integra as diferentes tecnologias disponíveis para crianças e jovens –o maior do tipo realizado na América Latina.
Cerca de 42% dos jovens de 11 anos indagados preferem a internet à televisão e a porcentagem sobe para 60% no segmento de adolescentes entre 14 e 15 anos.
Publicado por: Leandro Marshall em: Abril 30, 2008
Reuters, em Londres
A internet vai ultrapassar a televisão e se tornará o maior alvo dos investimentos publicitários no Reino Unido em 2009, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (7). A região tem o mercado de publicidade on-line mais desenvolvido do mundo, segundo informações do IAB (Internet Advertising Bureau).
De acordo com estudo da consultoria PricewaterhouseCoopers e do World Advertising Research Centre, a rede movimentou cerca de US$ 5,6 bilhões em 2007. As empresas estimam que esse valor representa uma alta de 38% no ano passado, resultado do aumento na base de usuários, da introdução de laptops populares e do crescimento de serviços de televisão pela web.
“Com o aumento na velocidade da banda larga e os consumidores ficando mais tempo nos sites, o panorama para a publicidade on-line é cor de rosa –na verdade, nós esperamos que ela [a internet] ultrapasse a televisão em 2009, quando vai se tornar a maior mídia britânica”, afirma Guy Phillipson, executivo-chefe do IAB, em comunicado. Atualmente, a internet tem uma participação de 15,3% nos gastos com publicidade no Reino Unido, atrás da mídia impressa, com 19,9%, e da TV, que tem 21,8% do mercado. Segundo o estudo, a internet foi a maior responsável pelo crescimento nos gastos com publicidade em 2007 –o setor todo cresceu 4,3% em 2007. A colocação de banners e vídeos de publicidade cresceu 31%, enquanto a publicidade por sistemas de busca subiu 39% no país.
Publicado por: Leandro Marshall em: Abril 30, 2008
A maior parte dos grandes jornais americanos viu seus números de circulação caírem a taxas mais altas, um sinal de que a migração dos leitores para a internet pode estar ganhando velocidade, diz noticia do Wall Street Journal.
O números foram divulgados ontem pelo Audit Bureau of Circulations – 534 jornais diários caíram em media 3,6% nos dias úteis, no período de 6 meses encerrados em 31 de março.
A comparação é com o mesmo período do ano anterior.
O ritmo da queda se intensificou – os percentuais de declínio tinham sido de 2,1% e de 2,6% nos períodos anteriores.
Abaixo os 10 maiores jornais dos EUA, sua circulação diária e a variação em relação a 1 ano atrás. 29/04 Blue Bus
Publicado por: Leandro Marshall em: Abril 17, 2008
por Vittorino Andreoli
http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/o_declinio_de_nietzsche.html
Revista Mente & Cérebro
Um dos principais filósofos do século XIX, o alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche foi vítima de um distúrbio mental, provavelmente causado pela sífilis, que arruinou seus últimos anos de vida e cuja evolução pode ser percebida em suas obras.
A evolução da doença se divide em três fases: na primeira a infecção fica restrita aos órgãos genitais; na segunda, alastra-se pelo organismo; na terceira causa paralisia progressiva e demência. Nietzsche adoeceu em 1873, mas só se afastou da atividade docente na Universidade da Basiléia em 1879 − quando sua voz era quase inaudível para os alunos. Os sintomas da demência só vieram dez anos depois, mas os primeiros sinais de deterioração intelectual já aparecem nos seus textos de 1887.
O que se observa, a partir de A gênese da moral, é a passagem de um Nietzsche que escreve com força e determinação, de forma densa e ao mesmo tempo sintética, para “outro” que parece incapaz de afrontamentos, que se perde entre notas e apontamentos publicados postumamente e cuja organização lógica até hoje é alvo de críticas. Nessa mesma época, o filósofo alemão redige quatro panfletos pouco concisos, cheios de contradições, que parecem escritos com raiva, algo que os leitores não esperavam encontrar em volumes de filosofia.
Os quatro panfletos
O primeiro, Nietzsche contra Wagner, de 1888, chega a ofender o amigo músico. Depois de se aconselhar com seu editor, o filósofo corrige o texto, publica-o novamente com um prefácio, um epílogo e ainda um post scriptum. O segundo panfleto se chamaria Alegria de um psicólogo, mas por sugestão do editor recebeu o título O crepúsculo dos ídolos: ou a filosofia a golpes de martelo. Diz o autor nesse texto: “Não existe uma realidade supra-sensível, aquela imaginada pelos idealistas, não existe um mundo racional, não há um mundo moral, ainda que os moralistas continuem insistindo. Não existe nem mesmo o mundo das aparências. Definitivamente não existe nada”.
O anticristo é o terceiro panfleto e se limita a demolir o cristianismo. Aqui também as frases são carregadas de violência, ira e ausência de reflexão e de direção. O quarto e último panfleto é Ecce homo. O que significam os títulos desses dois textos? Uma referência a Cristo? Talvez O anticristo fosse somente um nome para indicar a figura mítica de Dionísio, que Nietzsche passou a encarnar em algumas cartas a amigos.
Outra idiossincrasia diz respeito ao emprego de expressões líricas, usadas de forma superficial em alguns textos, ao mesmo tempo que outros se aprofundavam na introspecção e na auto-reflexão. Estes elementos testemunham o declínio de uma mente brilhante, declínio este que começou exatamente no dia 5 de janeiro de 1889. Nesse dia Nietzsche teve início a enviar cartas aos amigos Jacob Burckhardt e Franz Overbeck. Ao primeiro escreveu: “Eu sou Ferdinand de Lesseps, eu sou Prado, eu sou Chambige [assassinos dos quais se ocupavam a imprensa parisiense], eu fui envolvido no lençol dos mortos duas vezes neste outono”. Overbeck recebeu uma carta com o mesmo conteúdo macabro. Em uma terceira correspondência, enviada ao músico Peter Gast, ele assina como “o crucificado”. À antiga amiga Cosima Wagner (mulher do compositor Wilhelm Richard Wagner), escreve: “Arianna, eu te amo”. Assinado: “Dionísio”.
Anos depois, historiador francês Daniel Halévy refaz o caminho de Overbeck em busca do amigo perturbado: “Overbeck parte para Turim. Encontra Nietzsche num quarto mobiliado, cantando e gritando sua glória, batendo no teclado do piano (…) Mais tarde, ao sair de casa, viram um homem que guiava uma carroça batendo no próprio cavalo; indignado, o filósofo colocou-se imediatamente entre os dois, imobilizando o homem com os braços e impedindo-o de continuar a bater no animal. Os transeuntes pararam para olhar, um agente policial interveio. Queriam retirá-lo daquela situação, mas ele se jogou no chão, parecia numa crise de delírio (…) O policial decidiu algemá-lo, mas Overbeck intercedeu. Falando em nome da Universidade da Basiléia, obteve permissão para levá-lo de volta para casa”.
Nietzsche estava completamente perturbado. Misturava canções, dirigia-se às pessoas por meio de cantigas. Um médico da Basiléia, cujo filho era grande apreciador das obras do filósofo, dedicou-se ao caso com particular atenção e o transferiu para uma clínica psiquiátrica em Jena, de onde saiu em 1897 para viver com a mãe em Naumburg. Com a morte dela, mudou-se para a casa da irmã em Weimar, onde permaneceu até a morte em 1900. Desses anos sabemos muito pouco. É possível que ele tenha chegado à forma grave de demência, mas o assunto era delicado demais para ser comentado na época.
Publicado por: Leandro Marshall em: Março 12, 2008
Notícia do Portal G1
12/03/2008
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL347165-5603,00-MACACOS+CRIAM+FRASES+PARA+SE+COMUNICAR+DIZ+ESTUDO.html
Um estudo da Universidade de St. Andrews, na Escócia, revelou que macacos combinam sons para passar mensagens específicas, da mesma forma que humanos combinam palavras para criar frases.
Com a descoberta, os pesquisadores esperam encontrar novas pistas sobre a evolução da linguagem humana.
Os cientistas gravaram mensagens de alarme de macacos-de-nariz-branco na Nigéria e observaram que eles combinam sons para, aparentemente, transmitir mensagens com diferentes significados.
Acreditava-se que os macacos poderiam apenas criar novos sons para se comunicar, em vez de combinar os já existentes.
Os cientistas pensavam que a combinação dos sons formando frases, entre humanos, só ocorreu porque o repertório desses sons ficou muito grande.
Já os macacos-de-nariz-branco combinam apenas um pequeno número de sons.
Grande repertório
Segundo Klaus Zuberbühler, da Escola de Psicologia da universidade, “a pesquisa revelou alguns paralelos interessantes no comportamento vocal dos macacos da floresta e esta característica crucial da linguagem humana”.
“Em algum momento, de acordo com a teoria, ficou mais econômico para os humanos combinar os elementos de comunicação já existentes, em vez de adicionar outros a um grande repertório.”
“Isso é baseado na noção de que os sinais seriam combinados apenas depois que houvesse um número suficiente. Nossa pesquisa mostra que essas suposições podem não estar corretas.”
Em 2006, os pesquisadores da universidade descobriram que os macacos produziam uma série de diferentes chamados de alarme para distinguir a qual predador se referiam.
Esta última pesquisa traz evidências de que os vários chamados podem conter pelo menos três tipos de informação: o evento testemunhado, a identidade do autor do chamado e se ele pretendia sair do local.
Todas as informações seriam reconhecidas pelos outros macacos.
Publicado por: Leandro Marshall em: Fevereiro 27, 2008
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O filósofo que observou a mídia Por Luciano Martins Costa Publicado no Observatório da Imprensa em 26/02/2008 |
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Vilem Flusser, filósofo brasileiro nascido na antiga Checoslováquia e que escrevia em alemão, costumava dizer que o esforço fundamental do ser humano, em qualquer cultura, consiste em mover-se do mundo das aparências para o mundo da realidade. Flusser foi ignorado pela mídia cultural e desprezado pela universidade enquanto viveu. Só virou filósofo cult depois de morto porque sua obra despertou grande interesse na Europa. Foram muitas as lições com que impregnou as mentes de jovens candidatos ao título de jornalista ou de publicitário, no começo dos anos 1970, quando discorria sobre os meios de comunicação, a cultura de massa, a transnacionalidade, e diagnosticava o fenômeno da substituição crescente da atitude pelo gesto. Quem pôde folhear velhos cadernos de anotações e lembrar os chás em que ele revisava permanentemente sua obra, tem hoje uma amostra clara do que o filósofo vislumbrava há mais de trinta anos. Para não cair na tentação de viajar no amplo espectro dos pensamentos de Flusser, convém situar estas observações naquilo que ele dizia sobre o processo que chamamos civilizatório e o papel da mídia. Ele dizia que, no esforço de mover-se do mundo das aparências para o mundo da realidade, a evolução do ser humano encontra três tipos básicos de objeções: o ceticismo, que nega a capacidade do espírito de atravessar as aparências; o niilismo, que nega a existência de uma realidade além da aparência; e o misticismo, que constrói realidades aparentes, negando a transcendência da realidade e impossibilitando ao espírito comunicar-se para além dos limites da aparência. Um exercício “filosófico” Flusser registrou essas reflexões em seu livro Língua e Realidade, no qual também intuía que uma nova linguagem, unificadora das múltiplas formas e níveis de aproximação da realidade, poderia significar tão diretamente a realidade que seria também um contêiner fechado no qual não caberiam descrições do mundo aparente. Mas foi nas entusiasmadas aulas da FAAP, em São Paulo, e nos chás para pequenos grupos de embasbacados discípulos que ele fez as observações que hoje nos ajudam a entender a mídia. Em primeiro lugar, ele dizia que os jornais diários poderiam até colocar como meta expressar a realidade e, com isso, cumprir um papel relevante no processo civilizatório, mas sempre cairiam na tentação de construir seus labirintos no universo da aparência. A televisão, para ele, era o instrumento mais acabado da dissimulação, por sua capacidade de mostrar imagens da realidade e convencer o telespectador de que aquilo era apenas uma aparência, ou fracionar de tal maneira o discurso paralelo à imagem que a realidade retrocedesse em aparência. Em certa ocasião, quando explicava a diferença entre gesto e atitude, Flusser chutou a mesa para representar o significado da atitude – e quebrou seu próprio cachimbo. O comentário que se seguiu foi um retrato do que viria a ser a imprensa do nosso tempo. Ele disse algo como: “O gesto tem um efeito enorme na platéia, você pode construir uma carreira e até uma biografia com gestos, mas não terá alcançado a realidade. A atitude contém mais riscos, no mínimo pode quebrar nosso cachimbo, mas é a expressão que nos aproxima da realidade”. A imprensa é, hoje, majoritariamente, um espaço nobre dedicado ao mundo das aparências. Colocada a serviço de mudanças pontuais que forjam uma ilusão de movimento evolutivo, transformou-se em veículo das objeções que contribuem para manter o espírito humano preso às aparências. Não é necessário um grande esforço de observação para se constatar em que pacote de objeções cada veículo da mídia melhor se enquadra. Pode-se dizer, por exemplo, como exercício “filosófico”, que a Rede Globo é essencialmente niilista, enquanto a Rede Record é essencialmente mistificadora; que a Folha de S.Paulo tem como característica mais evidente o ceticismo, enquanto o Estadão rejeita qualquer hipótese de realidade que se estenda além de suas convicções, o que se enquadra nas objeções místicas e no ceticismo. A realidade encoberta Toda a mídia, claramente, valoriza o gesto sobre a atitude. Não têm significado mais apropriado a mania de transformar declarações em manchetes, o vício de encher as páginas com frases e deixar para segundo plano a descrição e a narração. A investigação (teoricamente um instrumento para a perfuração da aparência em busca da realidade) é valor cada vez mais raro.Por fim, não é demais citar Vilem Flusser na observação magistral sobre a conversação (que em nossa sociedade se dá, em termos de massa, por meio da mídia): “A grande conversação que é a sociedade ocidental gira em círculos cada vez mais amplos em torno de umas poucas situações primordiais (…)” e esse movimento circular revela e encobre a realidade. O poder da mídia estaria, então, em definir quando, nessa conversação, se expande a percepção para fora da aparência. Mas tudo indica que ela, a mídia, não está interessada em romper esse círculo. Vilem Flusser nasceu em Praga, em dia 12 de maio de 1920. Fugindo do nazismo, passou rapidamente pela Inglaterra e se fixou no Brasil, onde deu aula na USP, na FAAP e no ITA. No fim da vida, foi viver na França e só voltou a Praga para dar uma conferência, em 20 de novembro de 2001. Morreu no dia seguinte, num acidente de carro, quando voltava de um piquenique com sua mulher. Sua obra merece a atenção dos comunicadores. |
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Publicado por: Leandro Marshall em: Fevereiro 19, 2008
Do G1, em São Paulo
19/02/2008
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL304097-5603,00
Antropólogos e sociólogos gostam de traçar uma divisão clara entre a evolução biológica e a evolução cultural. Uma dupla de pesquisadores americanos, no entanto, diz que essa separação é, ao menos em parte, imaginária. Em um novo estudo, eles levantaram indícios de que transformações culturais podem ser influenciadas pela seleção natural, o mesmo processo que é o principal responsável pela evolução da vida. Se Deborah Rogers e Paul Ehrlich, da Universidade Stanford, estiverem corretos, a regra é simples: características culturais que têm um impacto direto na sobrevivência do homem vão acabar passando pelo crivo da seleção natural. Já as supostamente “decorativas” — estilos de roupa, decorações em vasos e por aí — teriam mais liberdade de se diversificar seguindo o mero capricho de seus criadores. Os dados vêm de uma análise das canoas de dez ilhas da Polinésia, no oceano Pacífico. Os polinésios nunca construíram caravelas, como os exploradores europeus, mas colonizaram sozinhos vastas extensões do Pacífico, usando apenas pequenas canoas para navegar. Aparentemente, todos eles descendem de uma única população ancestral que deixou o Sudeste Asiático há poucos milhares de anos. Por isso, suas canoas são um alvo ideal para estudar a seleção natural-cultural: ao atravessar o oceano, canoas boas e seus ocupantes sobreviviam e deixavam descendentes (no caso das canoas, mais canoas cujo modelo era baseado nelas); e canoas feitas porcamente levavam seus donos e elas mesmas para o fundo do mar. Rogers e Ehrlich compararam as canoas produzidas em cada uma das ilhas da Polinésia, tentando calibrar o quanto elas mudavam em função da distância de uma ilha para outra. Ao mesmo tempo, dividiram as características das embarcações em duas categorias: funcionais e não funcionais. A primeira classe englobava coisas essenciais para a navegabilidade e a estabilidade das canoas (casco duplo, tipo de remo etc.), enquanto a segunda se referia a pinturas, esculturas, ornamentos e outros detalhes decorativos. O que eles viram é que as características essenciais mudavam bem menos de uma ilha para outra do que os traços decorativos, que mudavam mais. É como se a “sobrevivência” das canoas estáveis restringisse o tipo de barco que podia ser feito: para funcionar, uma “canoa-filha” tinha de seguir o modelo bem-sucedido “materno”. A pesquisa está na revista científica americana “PNAS”.
Publicado por: Leandro Marshall em: Dezembro 14, 2007
Recentemente, escondido numa página do caderno de Economia da Folha de S. Paulo, um escritor europeu pouco conhecido fez uma declaração que muito me chamou a atenção e que simplifica muito o que representa a sociedade do espetáculo em que vivemos. Dizia ele, em palavras simples: “O supermercado é quem decide o que o consumidor vai comprar.”A idéia do autor era de que a lógica da sociedade de consumo atua sobre o comportamento do indivíduo invasivamente, sem que ele perceba. O poder sedutor e instrumental das palavras, dos códigos sociais, das convenções mecanicistas e da racionalidade institucionalizada faz com que a ação dos sujeitos sociais se torne, cada vez mais, um procedimento meramente processual, automatizado e operacional.
Os sujeitos obedecem a comandos de input e output dentro dos esquemas hexógenos ditados pela racionalidade instrumental de que falava Max Horkheimer, ou pela sociedade de controle, de que tratava Gilles Deleuze. Apesar do reduto imaginário ser uma arena sagrada, construtora subjetiva da realidade, a esfera da objetividade, onde as “imagens medeiam as relações sociais” (Guy Debord), faz com que cada vez mais o mundo simbólico real ou virtual comande o universo imaginário e as ações dos homens.A opinião é perigosa demaisO mesmo princípio vale apropriadamente para o universo da comunicação e da informação neste início de século 21, sobretudo no mundo do newsmaking.
O processo taylorista e fordista de produção das notícias criou regras e convenções próprias que fazem com que o jornalista seja mero agente do processo de captação, processamento e produção das notícias. O lead tem suas regras cabalísticas; os jornais têm sua linha editorial pré-planejada; o gatekeeper obedece às regras dos valores-notícias; a imprensa obedece à lógica mercantilizada do consumo e do jornalismo cor-de-rosa, light, neutro, indiferente; e, os jornalistas apenas trabalham dentro de uma linha de produção comandada por um sistema industrial de produção de notícias.Como dizia um escritor português, “a notícia é uma coisa importante demais para ser deixada nas mãos dos jornalistas”.
Dentro da esfera do newsmaking e da ordem do capitalismo tardio, não há mais espaço para a ação criativa e interventora dos repórteres da realidade. A realidade é uma coisa importante demais para ser manipulada a bel prazer por qualquer um.Com isso, segundo esta lógica, a notícia deve nascer pronta; o fato deve falar mais alto do que a apuração ou a investigação; a opinião é perigosa demais para uma atividade empresarial que vive do espetáculo; a cultura deve ser embalada como qualquer outra mercadoria; e a economia precisa agir com o disfarce da cultura.
Verdade e realidade
O que sobra para os jornalistas? Aos atores centrais do processo jornalístico cabe o papel de obedecer às ordens da notícia. Quem decide o que é o fato é a lógica da notícia, do jornal, da imprensa e do jornalismo da sociedade do espetáculo, e não mais o jornalista. Em outras palavras: não é mais o jornalista quem escreve a notícia, é a notícia que escreve o jornalista. É a notícia, e sua lógica interna sobre a realidade, que determina o que deve ser representado para a sociedade.A notícia e seu lead – que mais esconde do que revela – escrevem o jornalista antes dele mesmo ser jornalista. Escreve os seres humanos ainda crianças ou jovens; ainda ingênuos e esperançosos; ainda idealistas e revolucionários. A notícia forma os jornalistas antes e depois, por dentro e por fora, dizendo que a verdade e a realidade são aquelas que elas reportaram.
A notícia forma, portanto, a realidade e a sociedade antes que a realidade e a sociedade possam querer revelar-se como elas próprias e mesmo que a realidade e a sociedade não concordem com ela.