Estudo aponta que macaco se comunica melhor seguindo cadência

Conclusão apoia teoria de que fala humana veio de expressões faciais.
Estalo labial de primatas e fala humana podem ter origem evolutiva comum.

Do G1, em São Paulo – 15/01/2013

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/01/estudo-aponta-que-macaco-se-comunica-melhor-seguindo-cadencia.html

Movimentos da fala humana evoluíram das expressões faciais dos nossos ancestrais primatas (Foto: Divulgação/Universidade Princeton/Universidade Glasgow/Instituto Max Planck)

Cientistas das Universidades de Princeton e de Glasgow, no Reino Unido, e do Instituto de Cibernética Biológica Max Planck, na Alemanha, descobriram que, assim como os seres humanos, os macacos também conversam melhor quando a comunicação segue uma cadência natural. O estudo foi publicado nesta segunda-feira (14) no periódico científico da Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos, a “PNAS”.

A conclusão desse estudo apoia a teoria de que os movimentos da fala humana evoluíram das expressões faciais de ancestrais primatas.

A fala humana é melhor compreendida quando as sílabas são produzidas em um ritmo constante, entre 3 e 8 hertz de frequência (3 a 8 sílabas por segundo). Movimentos faciais ou labiais que interrompem este ritmo reduzem a inteligibilidade do discurso. Com base nesta premissa, os pesquisadores investigaram se os macacos – que se comunicam com movimentos rítmicos faciais, tais como o estalo labial – também estão em sintonia com uma cadência natural.

Para experimento, cientistas criaram avatar de macacos com gestos comunicativos em três diferentes frequências (Foto: Divulgação/Universidade Princeton/Universidade Glasgow/Instituto Max Planck)

Os autores realizaram testes com 11 macacos e determinaram quanto tempo eles gastaram olhando para cada um de dois avatares de macaco, gerados por computador e colocados lado a lado. Os avatares produziam estalos labiais em ritmo lento, natural e acelerado, com frequências de 3, 6 e 10 hertz, respectivamente.
Os resultados revelam que os animais passaram cerca de 30% mais tempo olhando para os avatares que estalavam os lábios em uma cadência natural, evidenciando uma preferência global pelo ritmo natural, em detrimento dos demais.

Além disso, quase metade dos macacos respondeu aos avatares que gesticulavam na frequência de 6 hertz, produzindo seus próprios estalos. Este comportamento sugere a hipótese de que os processos perceptivos nos macacos são igualmente sintonizados com os sinais comunicativos de frequência natural, assim como ocorre com os seres humanos.

A descoberta também leva a crer que o estalo labial do macaco e os ritmos da fala humana podem compartilhar um mecanismo sensório-motor com uma origem evolutiva comum.

Estudos já haviam demonstrado que o estalo labial dos macacos possui mecanismos semelhantes ao da fala, no que diz respeito ao ritmo, trajetória desenvolvida e coordenação das estruturas do trato vocal.
No entanto, os cientistas desconheciam até então a existência de uma afinação perceptiva nos macacos para os gestos comunicativos em cadência natural.  Com a pesquisa, ficou demonstrado que esses animais possuem tal percepção

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