Como os animais fazem negócios

Frans de Waal
Macacos-prego compartilham comida da mesma forma que os chimpanzés e os humanos. Rara entre outros primatas, essa prática pode ter evoluído junto com a caça cooperativa, uma estratégia usada pelas três espécies. Sem compensação comum, não haveria caça conjunta. Aqui, um jovem macaco-prego pede por um pedaço, abrindo a sua mão próximo ao alimento que um adulto está comendo.

Assim como meu escritório não permaneceria vazio por muito tempo caso eu me mudasse, os bens imóveis da Natureza também estão sempre mudando de mãos.

Lares em potencial abrangem desde buracos cavados por pica-paus até conchas vazias na praia. Um exemplo típico é o mercado imobiliário entre caranguejos eremitas. Para proteger seu abdômen mole, cada animal carrega sua casa consigo – geralmente uma concha de gastrópode abandonada. O problema é que o caranguejo cresce, mas sua casa não. Os eremitas estão, portanto, sempre à procura de novas acomodações. No momento em que se mudam para uma concha mais espaçosa, outros formam fila para se apropriar da que ficou vazia.
Parece um caso de oferta e demanda, mas como ocorre em nível impessoal, poucos relacionariam os negócios do eremita com as transações humanas. As interações entre os caranguejos seriam mais interessantes se eles negociassem na linha do “você pode ficar com a minha casa se eu ficar com aquele peixe morto”. Mas eles não são de negociar, e na verdade não teriam escrúpulos em despejar o dono da casa à força. Outros animais mais sociais fazem negócios, e seu modo de lidar com a troca de recursos e serviços nos ajuda a compreender como e por que o comportamento humano econômico pode ter evoluído.

Nova Economia
A economia clássica vê as pessoas como maximizadoras de lucros guiadas por puro egoísmo. Como Thomas Hobbes, filósofo inglês do século XVII, afirmou: “Todo homem, supõe-se, procura naturalmente aquilo que é bom para si mesmo, ao passo que (procura) o que é justo e favorece a paz, apenas acidentalmente”. Nessa visão ainda prevalecente, a sociabilidade é apenas uma reflexão tardia, um “contrato social” a que nossos ancestrais aderiram por causa de seus benefícios, não porque tinham alguma afeição mútua. Para a biologia, essa história imaginária está fora da realidade. Descendemos de primatas que viviam em grupos, o que significa que somos naturalmente equipados com o desejo de nos adaptar e descobrir parceiros com os quais possamos conviver e trabalhar. Essa explicação evolutiva está ganhando prestígio com o advento da economia comportamental, escola que enfoca o comportamento huma-no vigente, em vez de as forças abstratas do mercado, como guia para compreender as decisões econômicas. Em 2002 essa escola ficou conhecida quando dois de seus fundadores, Daniel Kahneman e Vernon L. Smith, dividiram o Nobel de Economia.

A economia comportamental animal é um campo que fornece suporte para novas teorias ao mostrar que tendências econômicas e preocupações humanas básicas – como reciprocidade, divisão de recompensa e cooperação – não são restritas a nossa espécie. Elas provavelmente evoluíram em outros animais pelas mesmas razões que em nós -para ajudar os indivíduos a otimizar a vantagem mútua sem minar os interesses compartilhados e que dão apoio à vida em grupo.

Vejamos o recente incidente na minha visita ao Centro Nacional Yerkes de Pesquisa em Primatas, de Atlanta. Ensinamos os macacos-prego a alcançar uma xícara com alimento puxando uma barra presa à bandeja onde ela estava. Ao deixarmos a bandeja muito pesada para ser puxada por um único indivíduo, demos aos macacos uma boa razão para trabalharem juntos.

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Em uma ocasião, o ato de puxar foi realizado por duas fêmeas, Bias e Sammy. Sentadas em gaiolas contíguas, elas conseguiram alcançar a bandeja com as duas xícaras. Sammy, entretanto, apanhou sua xícara com tanta rapidez que acabou soltando a barra antes que Bias pudesse apanhar a sua. A bandeja correu para trás e ficou fora do alcance de Bias. Enquanto Sammy mastigava ruidosamente, Bias teve uma explosão de raiva e gritou alto por cerca de 30 segundos. Sammy, então, pegou sua barra de puxar e ajudou Bias a trazer a bandeja outra vez a seu alcance. Sammy não fez isso em benefício próprio, já que, agora, a sua xícara estava vazia.O comportamento corretivo de Sammy parecia ser uma resposta ao protesto de Bias contra a perda de uma recompensa esperada. Essa ação está muito mais próxima das transações econômicas humanas do que aquela dos caranguejos eremitas, porque mostra cooperação, comunicação e cumprimento de uma expectativa, talvez até mesmo senso de obrigação. Sammy mostrou-se sensível à situação de com-pensação. Tal sensibilidade não é de surpreender, dado que a vida em grupo dos macacos-prego gira em torno da mesma interação entre cooperação e competição que caracteriza nossa própria sociedade.

Evolução da Reciprocidade
Animais e pessoas ocasionalmente se ajudam sem nenhum benefício óbvio para quem ajuda. Como teria evoluído esse comportamento? Se a ajuda é direcionada a um membro da família, a questão é fácil de responder. “O sangue fala mais alto”, dizemos, e os biólogos reconhecem as vantagens genéticas para tal assistência: se o parente de alguém sobrevive, a probabilidade de os genes dessa pessoa se perpetuarem nas próximas gerações aumenta. Mas a cooperação entre indivíduos não aparentados não sugere vantagem genética imediata. Pëtr Kropotkin deu uma primeira explicação sobre isso no livro Mutual Aid, publicado em 1902. Se a ajuda é comum, argumenta, todos ganham – a chance de sobrevivência de cada um aumenta. Em 1971, Robert L.Trivers, então na Universidade Harvard, expressou o problema em termos evolutivos modernos com a teoria do altruísmo recíproco.

Ele argumentou que fazer um sacrifício por outra pessoa é recompensador se ela, depois, retribuir o favor. A reciprocidade resu-me o dito: “Eu coço suas costas se vo-cê coçar a minha”. Será que os animais demonstram estratégias do tipo “olho por olho”? Macacos e grandes primatas formam coalizões; dois ou mais indivíduos conspiram contra um terceiro. E pesquisadores encontraram uma correlação entre quão freqüentemente A ajuda B e B ajuda A. Mas isso significa que os animais estão de fato a par dos favores dados e recebidos? Eles podem apenas dividir seu mundo entre “amigos”, a quem dão preferência, e “não amigos”, por quem demonstram pouca preocupação. Se tais sentimentos são mútuos, as relações serão mutuamente úteis ou inúteis. Tais simetrias podem responder pela reciprocidade relatada para peixes, morcegos vampiros (que regurgitam sangue para alimentar os companheiros), golfinhos e macacos.

Não é porque esses animais podem não estar a par dos favores dados e recebidos que eles carecem de reciprocidade. O problema é saber como um favor feito para o outro volta para o altruísta inicial. O que é exatamente esse mecanismo da reciprocidade? A preservação do registro mental é uma maneira de a reciprocidade operar, e ainda precisamos testar se os animais fazem isso. Até aqui, os chimpanzés são a exceção. Na floresta, atuam em grupo para caçar o macaco cólobo. Um caçador, após capturar a presa, normalmente separa o corpo em partes e o compartilha com o grupo. Nem todos, entretanto, conseguem um pedaço; até mesmo o macho de grau mais alto na hierarquia, se não tiver participado da caçada, pode mendigar em vão. Esse comportamento sugere reciprocidade: os caçadores parecem gozar de prioridade na divisão do espólio.Para tentar descobrir quais mecanismos atuam aqui, exploramos a tendência desses macacos em compartilhar – que eles também mostram em cativeiro. Demos a um dos chimpanzés de nossa colônia uma melancia ou alguns ramos de folhas e o deixamos no centro de um grupo, logo seguido por grupos secundários próximos a indivíduos que tinham conseguido uma porção maior, até que todo o alimento tivesse sido distribuído a todos. Os chimpanzés não costumam pegar alimento dos outros à força – fenômeno conhecido como “respeito de posse”. Os pedintes mantêm a mão aberta com a palma para cima, choramingam e lamentam, mas as agressões são raras. Se elas ocorrem, o animal que detém o alimento dá instruções para que os agressores deixem o círculo. Ele bate na cabeça dos agressores com um galho ou grita emitindo um som agudo até que o deixem sozinho. Independentemente do seu grau na hierarquia, quem tem o alimento controla seu fluxo.

Analisamos cerca de 7 mil situações como essa, comparando a tolerância do possessor a pedintes específicos. Temos registros detalhados sobre cuidados e catação de parasitas nas manhãs dos dias dos testes com alimentos. Se o macho principal, Socko, limpara May pela manhã, por exemplo, sua chance de ganhar ramos dela, à tarde, aumentava. Essa relação entre comportamentos do passado e do presente é geral.

Conexões simétricas não poderiam explicar esse resultado, já que o padrão variou de um dia para o outro. O nosso foi o primeiro estudo a demonstrar a contingência entre favores dados e recebidos. Além do mais, a troca de alimento por catação ocorria com parceiros específicos – a tolerância de May só beneficiou Socko, o único que a tinha limpado.

Esse mecanismo de reciprocidade requer memória de eventos prévios, bem como o avivamento da memória que induz ao comportamento de amizade.

Na nossa espécie, esse processo de avivamento é conhecido como “gratidão”, e não há razão para usar outro nome entre os chimpanzés. Se eles sentem algum tipo de obrigação ainda não está claro, mas é interessante notar que a tendência em retribuir o favor não é a mesma para todas as relações. Entre os indivíduos que se associam e praticam catação mútua, uma simples sessão de limpeza tem pouco peso. Todas as trocas diárias ocorrem entre eles, provavelmente sem nenhuma vigilância.Eles parecem seguir o sistema de ajuda mútua discutido anteriormente. Apenas num relacionamento mais distante a catação se destaca. Como Socko e May não são amigos próximos, o “cafuné” foi devidamente percebido.

Uma distinção similar aparece no comportamento humano: somos mais inclinados a ficar de olho nas ações de dar e receber que ocorrem com estranhos do que com amigos e parentes. Quando isso ocorre nas relações próximas, é sinal certo de desconfiança.

Mercados Biológicos
Visto que a reciprocidade requer parceiros, a escolha deles é fundamental na economia comportamental. As transações imobiliárias que ocorrem entre os caranguejos eremitas são excessivamente simples comparadas com as interações entre primatas, que envolvem muitos parceiros trocando múltiplas moedas, como catação, sexo, apoio em lutas, alimentação, serviço de pajem e assim por diante. Esse “mercado de serviços”, como apelidei no livro Chimpanzee Politics, significa que cada indivíduo precisa ter boas relações com os indivíduos mais destacados, para estimular parcerias de catação e – se forem ambiciosos – fazer acordos com outros do mesmo nível. Os machos formam coalizões para desafiar o soberano reinante. Após a subversão, o novo soberano precisa manter seus ajudantes satisfeitos: um macho alfa que tenta monopolizar os privilégios do poder, tal como o acesso às fêmeas, tem pouca chance de manter sua posição por muito tempo. E os chimpanzés agem assim sem nunca terem lido Maquiavel.

Com cada indivíduo negociando com os melhores parceiros e vendendo seus próprios serviços, a estrutura para reciprocidade se torna de oferta e procura, precisamente o que Ronald Noë e Peter Hammerstein, então do Instituto Max Planck de Fisiologia Com-portamental, tinham em mente com a teoria do mercado biológico, que se aplica sempre que é possível escolher com quem negociar. Essa teoria postula que o valor das mercadorias varia com a disponibilidade. Os estudos a seguir aprimoram esse ponto.

Como todas as fêmeas de primatas, as dos babuínos são irresistivelmente ligadas aos filhotes – não apenas aos seus, mas também aos de outras fêmeas. Elas emitem grunhidos amigáveis e tentam tocá-los. As mães, entretanto, relutam em deixar qualquer um segurar seus recém-nascidos. Para se aproximarem, as fêmeas interessadas limpam a mãe enquanto espreitam os bebês. Após uma sessão relaxante de catação, a mãe pode ceder ao desejo das outras fêmeas de olharem de perto. Essas, portanto, “pagam” para passar um tempo com o recém-nascido. A teoria de mercado prediz que o valor dos bebês deveria subir se há poucos nas redondezas. Num estudo com babuínos da África do Sul, Louise Barrett, da Universidade de Liverpool, e Peter Henzi, da Universidade de Lancashire Central, ambas na Inglaterra, descobriram que as mães com poucos filhotes cobram mais caro (um período maior de catação) do que as mães com muitos filhotes.Situação parecida ocorre com os peixes limpadores da espécie Labroides dimidiatus, que se alimentam de parasitas dos peixes maiores. Cada limpador tem sua “estação de limpeza” num recife de coral para onde a clientela se dirige a fim de que ele faça seu trabalho. O limpador mordisca o parasita e o retira do corpo do cliente, das nadadeiras e mesmo do interior da boca. Algumas vezes, o limpador fica tão ocupado que os demais peixes têm de esperar em fila. Os clientes aparecem em duas variedades: residentes e visitantes. Os primeiros pertencem a espécies com pequenos territórios; eles não têm escolha senão ir até o seu limpador local. Os visitantes, por outro lado, ou controlam um território grande ou viajam bastante, o que significa que podem escolher entre várias estações de limpeza. Querem esperar pouco e que o serviço seja de qualidade e sem fraudes. Isso ocorre quando um limpador mordisca o corpo do cliente alimentando-se do muco saudável do seu corpo, o que espanta os clientes.

Pesquisas feitas por Redouan Bshary, do Max Planck, consistem principalmente em observações nos recifes de coral, mas também incluem experimentos em laboratório. Seus artigos parecem um manual de bons negócios. O visitante tende mais a mudar de estação de limpeza se o limpador o ignora por muito tempo ou o engana. Os limpadores parecem saber disso e tratam os visitantes melhor do que os residentes. Se um visitante e um residente chegam ao mesmo tempo, o limpador quase sempre dá preferência ao visitante. Como os residentes não têm para onde ir, ficam esperando sua vez. Os únicos que os limpadores nun-ca trapaceiam são os predadores, que têm uma contra-estratégia radical: engolir o limpador. Com os predadores, os limpadores adotam sabiamente, nas palavras de Bshary, uma “estratégia cooperativa incondicional”.

A teoria do mercado biológico oferece uma solução elegante para o problema dos “penetras”, que ocupa os biólogos há muito tempo, pelo fato de os sistemas de reciprocidade serem vulneráveis àqueles que tomam, e não aos que dão. Os teóricos assumem que os ofensores devem ser punidos, embora isso ainda tenha de ser demonstrado entre os animais. Em vez disso, é possível lidar com os trapaceiros de maneira mais simples.

Se existe escolha dos parceiros, os animais podem simplesmente abandonar as relações insatisfatórias e substituí-las por aquelas que oferecem mais benefícios. Os mecanismos de mercado são suficientes para colocar de lado os aproveitadores. Mesmo em nossa sociedade, não confiamos naqueles que querem receber mais do que dar.Justiça é Justiça
Para colher os benefícios de cooperação, um indivíduo deve monitorar seus esforços relativos a outros e comparar sua gratificação com o esforço aplicado. Para investigar se os animais realizam tal monitoramento, voltamos mais uma vez aos macacos-prego, testando-os em um mercado de trabalho em miniatura, inspirado nas observações de campo desses macacos atacando esquilos gigantes. A caça ao esquilo é um esforço de grupo, mas todas as recompensas acabam nas mãos de um indivíduo: o captor. Se apenas o captor fica com a presa, é de se imaginar que os outros perderiam o interesse em se juntar a ele em outra ocasião. Os macacos-prego compartilham a carne pelas mesmas razões que os chimpanzés (e que as pessoas): não pode haver caça em grupo sem que haja compensação conjunta.

Imitamos essa situação em laboratório para que só um macaco (que chamamos de vencedor) de uma dupla que puxa as bandejas recebesse uma xícara com pedaços de maçã. O outro, denominado de operário, não tinha alimento em sua xícara, o que para os dois era evidente desde o início, pois elas eram transparentes. Portanto, o operário puxou a bandeja só para ajudar o vencedor. Os macacos estavam sentados lado a lado, separados por uma rede. Sabemos, de testes anteriores, que quem possui o alimento pode deixar um pouco da comida próximo à divisão das gaiolas, permitindo que seu vizinho a alcance.

Comparamos os esforços coletivos com os individuais. Em uma situação, ambos os animais tinham uma barra de puxar e a bandeja estava pesada; em outra, faltou a barra do parceiro, e o vencedor manipulou sozinho uma bandeja mais leve. Houve mais episódios de compartilhamento de alimento depois de episódios de esforços coletivos do que de isolados: os vencedores estavam, na verdade, compensando seus parceiros pela assistência que haviam recebido. Confirmamos também que o ato de compartilhar influi em uma cooperação futura. Como a taxa de sucesso da dupla cairia se o vencedor se recusasse a compartilhar, o pagamento do operário era uma estratégia inteligente.

Sarah F. Brosnan, uma de minhas colegas em Yerkes, foi mais longe, explorando reações ao modo como as recompensas são divididas. Ela ofereceu a um macaco-prego um seixo e em seguida mostrou um pedaço de pepino instigando-o a devolver o cascalho. Os macacos compreenderam depressa o princípio da troca. Colocados lado a lado, dois macacos alegremente trocaram os seixos pelo pepino com a pesquisadora.

Quando um deles, porém, recebeu uvas ao passo que o outro continuou a receber pepino, as coisas tomaram um rumo diferente. Os macacos preferem uva a pepino. Os animais que tinham trabalhado bem em troca de pepino de repente entraram em greve. Não apenas relutaram em interagir, visto que o outro tinha conseguido uma recompensa melhor, mas ficaram agitados, arremessaram os seixos e, algumas vezes, até o pepino.

Um alimento normalmente nunca recusado tornou-se pouco desejável.
Rejeitar um pagamento desigual – algo que as pessoas também fazem – vai contra as regras da economia tradicional. Se a maximização dos benefícios é o que importa, deveríamos nos contentar com aquilo que obtivemos e não deixar que ressentimentos interferissem. A economia comportamental, por outro lado, assume que a evolução conduziu a emoções que pre-servam o espírito de cooperação e que elas influenciam o comportamento. A curto prazo, preocupações sobre o que os outros conseguiram pode parecer irracional, mas a longo prazo pode impedir que o outro tire vantagem de determinada situação. Desencorajar a exploração é ponto crítico para uma cooperação duradoura.

Ficar de olho no fluxo dos benefícios e dos favores, entretanto, é um aborrecimento. Isso explica por que os humanos protegem-se contra o “parasitismo” e a exploração, formando relações amigáveis com seus parceiros – como marido e mulher e bons amigos – que têm resistido ao tempo. Uma vez que determinamos em quem podemos confiar, relaxamos. Somente com parceiros mais distantes mantemos registros mentais e reagimos à desonestidade.

Descobrimos o mesmo efeito de distância social nos chimpanzés. A política do “olho por olho” é rara entre amigos que habitualmente trocam favores. Essas relações também parecem imunes à injustiça. Nos testes de trocas com uvas e pepinos, Brosnan notou que a reação mais violenta se deu entre aqueles que se conheciam havia pouco tempo, enquanto membros de uma colônia que viviam juntos fazia 30 anos pouco reagiram. Talvez, quanto maior a familiaridade, maior o tempo durante o qual os chimpanzés avaliam suas relações. Só as distantes são sensíveis às flutuações do dia-a-dia.

Todos os agentes econômicos, humanos ou animais, precisam lutar contra o problema do “parasita” e o modo como os lucros são divididos após um esforço conjunto. Eles dividem mais com aqueles que os ajudam mais e demonstram fortes reações quando as expectativas são violadas. Uma verdadeira disciplina evolutiva da economia reconhece esse tipo de psicologia comunal e considera a possibilidade de que nós adotamos o conceito moral de tratar os ou-tros como queremos ser tratados, não acidentalmente, como Hobbes pensava, mas como herança de nosso passado como primatas cooperativos

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