Levantem as saias senhoras, nós vamos atravessar o inferno

sangue

Leandro Marshall

Berrem, berrem, berrem. Já falei mil vezes. Berrem, berrem, berrem. Não temos mais incêndios. Não temos mais incêndios. Não temos mais incêndios. Fodam-se. Não adianta cuspir na cara. Berrem, berrem, berrem. Não há mais nenhum cadáver no estoque. Não há mais nenhum cadáver na prateleira. Não há mais nenhum cadáver em lugar nenhum. Usem os cadáveres mais recentes e joguem os outros fora. Pelo amor de Deus ou do Diabo. Já falei mil vezes. Não há nem sangue para beber. O que eu posso fazer? Berrem, berrem, berrem. Vão para o inferno. Arranquem os olhos. Rasguem a boca. Arrebentem as vísceras até o fundo. Não adianta. Já falei e vou falar mais um milhão de vezes. Não temos mais nada para usar. Não temos mais nada para usar. Não temos mais nada para usar. Urrem, gritem, esperneiem. Não tenho medo. Não temo nada do que pode acontecer. Não tenho nada a ver com isso. Façam o que quiserem. Façam o que tiverem vontade. Mijem em todo o cemitério, espalhem merda pelas janelas, joguem os miolos para o céu ou esparramem eles nas próprias cabeças. Se conseguirem, podem até cagar fogo pelas orelhas. Não quero mais saber de nada. Berrem, berrem, berrem. Só o que resta a vocês é berrar.       

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