A inauguração do inferno

morte

By Leandro Marshall
Os demônios criaram os deuses
na sexta-feira de noite
depois de fechar o relatório dos mortos
A ideia era causar surpresa
e evitar a ação da inspeção alfandegária.
Não havia nota fiscal nem declaração
de bens ou valores.
Entretanto, o risco compensava.
O caminhão cegonha transportou
doze deuses, todos exclusivos, e na cor prata,
de um lado a outro do inferno,
sem qualquer arranhão ou estrago.
Um pecado excelente,
que serviu, inclusive, para misturar os paradoxos
e irritar os lobos,
que, como de costume,
já haviam preparado sua própria janta.
Num domingo ou numa segunda de manhã
talvez a exibição dos deuses pudesse
chamar mais atenção e atrair um número maior
de compradores.
Não tem importância.
Para o bem ou para o mal,
a obra estava feita
e, como tal, era naturalmente perfeita.
Os demônios não tinham
nenhuma intenção de agradar ou desagradar
ninguém,
nem os lobos.
De qualquer modo,
os doze deuses foram a leilão.
Todos foram vendidos,
apesar de muitos não esconderem seus defeitos
nem a falta de alguns dentes.
Naquele dia,
os demônios dormiram felizes e tranquilos.
Enfim, eles tinham inaugurado o inferno.

 
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