NOSSO DESTINO É APODRECER

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By Emil Cioran
In Breviário da Decomposição

Que seja maldita para sempre a estrela sob a qual nasci, que nenhum céu queira protegê-la, que se disperse no espaço como uma poeira sem honra!! E o instante traidor que me precipitou entre as criaturas, seja para sempre riscado das listas do tempo! Meus desejos já não podem pactuar com esta mescla de vida e de morte em que se avilta cotidianamente a eternidade. Cansado do futuro, atravessei os dia e, no entanto, estou atormentado pela intemperança de não sei que sede. Como um sábio raivoso, morto para o mundo e enfurecido contra ele, só invalido minhas ilusões para excitá-las melhor. Esta exasperação em um universo imprevisível – onde, entretanto, tudo se repete – não terá jamais um fim? Até quando repetir a si mesmo: “Execro esta vida que idolatro?” A nulidade de nossos delírios faz de nós todos semelhantes a deuses submissos a uma insípida fatalidade. Por que insurgir-nos ainda contra a simetria deste mundo, quando o próprio Caos não poderia ser outra coisa senão um sistema de desordens? Como nosso destino é apodrecer com os continentes e as estrelas, exibiremos, como doentes resignados, e até a conclusão das eras, a curiosidade por um desenlace previsto, medonho e vão.

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